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domingo, 7 de fevereiro de 2010

Qualidade de vida

É foda quando se tenta fazer uma autobiografia e só se consegue fazer 20 páginas de pura literatura marginal, depressiva e sarcástica.




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(Por: C.O.)

segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

Nós, entre vírgulas.

Lá fora está chovendo,
chovendo muito em pingos pequenos!
E eu aqui dentro!
Do lado de dentro do quarto vazio,
da vida vazia.
Lá fora, está chovendo,
em pingos pequenos,
está muito vento e eu aqui dentro, preso, penso
em destilados e cigarros,
chuvas me lembram isso,
exceto quando são acompanhadas por alguém,
mas nesse caso, não há destilado,
há somente meio maço de "free" amaçado,
e essa falta de alguém.
Há também Miles Davis soprando um jazz,
há pessoass chamando atenção
por mensagens instantâneas,
mas não estou interessado nelas agora,
pelo menos não nas que estão chamando atenção,
nada irrita mais do que o som das pessoas chamando,
há, claro, as vezes em quem ninguém liga,
mas quando chove pouco importa se alguém liga
porque tudo fica tão lírico
e vital que até os móveis se transmutam em algo animado,
talvez fosse possível conversar com eles,
os velhos móveis,
da velha sala,
sempre tão vazia.
A vida, as vezes,
parece viver entre vírgulas.
(por: A.C.)

Aos cuidados do fabricante

Eu quero, sinto que devo querer algo, mas não sei bem o que. Talvez não tenha nome, nem forma, nem cor, nem seja velho ou novo, nem seja inédito, mas sinto que devo querer. E a menina dos olhos de cigana, diz: "Os psicólogos são ótimos, eles dizem pra você falar tudo que está entalado e continuar sempre expressando seus sentimentos.", e depois arremata: "Mas sempre achei que seus problemas todos se resolvem com sexo.", é, deve ser atraso mesmo. Uma sessão de pornoanálise com ela talvez resolvesse, e tirasse essa idéia besta de analista da minha caixa de grilos:
- Isso, chupa esse complexo, só mais um pouco e você engole a depressão.
Em breve estaria lá ejaculando todos os entupimentos do meu super ego, até alcançar a paz novamente, deveria funcionar, sempre funcionou, mas acho que dessa vez, só uma vez, vou tentar os barbitúricos, os ansiolíticos, os analgésicos.
Amanhã, será preciso voltar aos números frios e rígidos da vida como ela tem que ser, deve ser, e não como precisa ser para alguém que deseja, solenemente e simplesmente, viver.
Não há nada de errado, nada mesmo, sou eu que vim com defeito de fábrica.

(por: A.C.)

quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

Há urgência em estar vivo

Por mais que vivamos dia após dia nessa busca inacabável de romper com qualquer tipo de corrente que finque nossos membros ao chão de concreto resistente e aparentemente inabalável, aqui estamos nós outra vez, nos mostrando cada vez mais certos de nossas fragilidades, mais humanos.
Precisamos do que precisamos porque precisamos, isso basta para regir nossas vidas, uma pena, eu sei, mas é. Queria ter uma caixinha que desse pra guardar a gargalhada de cada amigo que eu tenho, de cada pessoa que eu amo ou amei. Queria ter um cartão de crédito que eu soubesse usar e realmente me desse crédito, seja lá qual for o significado dessa palavra. Queria que nas festas tocasse pelo menos uma música que me fizesse dançar pra suar e largar de lado o bolo que eu estava atirando aos peixes.
Seríamos tolos se não assumíssemos que estamos no caminho, mas sabe quando você já percorreu uma distância tão longa que não dá mais pra voltar, mas também as pernas não resistem seguir em frente? Aqui estamos nós, aqui estou eu, sentado no chão da estrada esperando a canseira passar.

(Por: C.O.)