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segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

Nós, entre vírgulas.

Lá fora está chovendo,
chovendo muito em pingos pequenos!
E eu aqui dentro!
Do lado de dentro do quarto vazio,
da vida vazia.
Lá fora, está chovendo,
em pingos pequenos,
está muito vento e eu aqui dentro, preso, penso
em destilados e cigarros,
chuvas me lembram isso,
exceto quando são acompanhadas por alguém,
mas nesse caso, não há destilado,
há somente meio maço de "free" amaçado,
e essa falta de alguém.
Há também Miles Davis soprando um jazz,
há pessoass chamando atenção
por mensagens instantâneas,
mas não estou interessado nelas agora,
pelo menos não nas que estão chamando atenção,
nada irrita mais do que o som das pessoas chamando,
há, claro, as vezes em quem ninguém liga,
mas quando chove pouco importa se alguém liga
porque tudo fica tão lírico
e vital que até os móveis se transmutam em algo animado,
talvez fosse possível conversar com eles,
os velhos móveis,
da velha sala,
sempre tão vazia.
A vida, as vezes,
parece viver entre vírgulas.
(por: A.C.)

quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

Amélia, é que era mulher de verdade.

Amélia não quer mais brincar de casinha comigo. Nem de médico. Nem de papai e mamãe. Amélia me deu um “low kick” nos glúteos. Digno de um aprendiz de Bruce Lee.
Amélia, me tratava como mãe, e era flor e era puta, pura melancolia dos trópicos, algo azedo de limão, mas que descia bem com qualquer destilado.
- Amélia, por que você deixou teu dengo, teu galego, teu xodó, Amélia? – Pergunta a irmã encalhada.
E Amélia responde, cheia de certeza empertigada, e uma dor dilacerante na alma – É que o canalha não me traía, não me fazia sofrer! – dizia ela indignada – Era só, meu bem pra lá, neguinha pra cá, e me dá cheiro no cangote e rabada com agrião e azeite, mas nada de dor!
E vá deus querer brincar de contar quantas Amélias existem por cá.
(por A.C)


Amélia, é que era mulher de verdade

sexta-feira, 12 de junho de 2009

Pré-pós-00 (anúncio)

E as cabeleiras extáticas de anjos pré-pós-adolescência
Estão em exposição em blogs descolados
Talvez seja o empuxo inicial de um novo movimento
Vanguarda pós-00
Alguns deles são meus heróis e nem suspeitam
Tanto tempo com suas mentes brilhantes
Mergulhadas nas latrinas cheias das suas palavras
Agora eles vão deixando seus restos de rebeldia juvenil
E fazendo algo
Vai com fé que pode ser
O primeiro passo em direção ao muro
De Berlim
De Verdade
Eles tem as suas canções
Seus discos do século passado
Suas guitarras para harmonizar o futuro
Eles estão esperando a hora de se descobrirem heróis
Eles estão no momento antes do pulo
Eu espero que eles subam alto
Eu espero que eles não se contentem em olhar o mundo do alto
Eu espero que eles tenham pedras nos sapatos
E que eles cerrem seus dentes na hora certa pra resistir
E pra sorrir.

( Por: A.C. )