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terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

Palavra Mal-dita

Vibra na corda
Vocal
Uma palavra bamba
Boba e
torta
que entonta e
Cai, sem querer

Dá pra ouvi-la
Batendo lá
No fundo
Olvidá-la é que não dá

segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

Nós, entre vírgulas.

Lá fora está chovendo,
chovendo muito em pingos pequenos!
E eu aqui dentro!
Do lado de dentro do quarto vazio,
da vida vazia.
Lá fora, está chovendo,
em pingos pequenos,
está muito vento e eu aqui dentro, preso, penso
em destilados e cigarros,
chuvas me lembram isso,
exceto quando são acompanhadas por alguém,
mas nesse caso, não há destilado,
há somente meio maço de "free" amaçado,
e essa falta de alguém.
Há também Miles Davis soprando um jazz,
há pessoass chamando atenção
por mensagens instantâneas,
mas não estou interessado nelas agora,
pelo menos não nas que estão chamando atenção,
nada irrita mais do que o som das pessoas chamando,
há, claro, as vezes em quem ninguém liga,
mas quando chove pouco importa se alguém liga
porque tudo fica tão lírico
e vital que até os móveis se transmutam em algo animado,
talvez fosse possível conversar com eles,
os velhos móveis,
da velha sala,
sempre tão vazia.
A vida, as vezes,
parece viver entre vírgulas.
(por: A.C.)

Aos cuidados do fabricante

Eu quero, sinto que devo querer algo, mas não sei bem o que. Talvez não tenha nome, nem forma, nem cor, nem seja velho ou novo, nem seja inédito, mas sinto que devo querer. E a menina dos olhos de cigana, diz: "Os psicólogos são ótimos, eles dizem pra você falar tudo que está entalado e continuar sempre expressando seus sentimentos.", e depois arremata: "Mas sempre achei que seus problemas todos se resolvem com sexo.", é, deve ser atraso mesmo. Uma sessão de pornoanálise com ela talvez resolvesse, e tirasse essa idéia besta de analista da minha caixa de grilos:
- Isso, chupa esse complexo, só mais um pouco e você engole a depressão.
Em breve estaria lá ejaculando todos os entupimentos do meu super ego, até alcançar a paz novamente, deveria funcionar, sempre funcionou, mas acho que dessa vez, só uma vez, vou tentar os barbitúricos, os ansiolíticos, os analgésicos.
Amanhã, será preciso voltar aos números frios e rígidos da vida como ela tem que ser, deve ser, e não como precisa ser para alguém que deseja, solenemente e simplesmente, viver.
Não há nada de errado, nada mesmo, sou eu que vim com defeito de fábrica.

(por: A.C.)

domingo, 26 de abril de 2009

Dor de cabeça.


( Por : C.O. )