domingo, 27 de julho de 2008

Prefiro "é"

Levantar e não ter que agradecer
A não ser a mim mesmo
Batalhei por este teto e cama
Amém?

Deitar e não ter que agradecer
A não ser a mim mesmo
Batalhei por esse sono
Amém?

Coitado daquele que ainda
Tem como bíblia a bíblia
É

Coitado daquele que ainda
Tem como amor a virgem
É.

(Por: C.O. )

sábado, 12 de julho de 2008

Passe adiante


( Por: C.O. )

segunda-feira, 26 de maio de 2008

O estrago que causa uma vírgula

- Amor desculpa.
- Você nunca me chamou assim.
- Vocativo. Desculpa.
- O quê?
- Amor, desculpa.

(por: A. C.)

(Qual é o título?)

Se deus fosse sábio
ele faria a vida eterna
como uma fita rebobinada
da nossa vida,
vivida sempre de novo
por toda a eternidade.
Assim a gente viveria bem
Faria tudo o que desse vontade
Pra não ficar eternamente
se arrependendo
dessa vida pela metade
essa dor que não arde
e que nem sara
Essa existência sem graça
Chegava bem mais tarde da rua
Dormiria mais debaixo da lua
Se daria mais amor mais sexo
E buscaria muito menos nexo

(por: A. C.)

sábado, 24 de maio de 2008

Calibre 38

Quatro letras estarão no fim desta carta, não vá lá ler agora porque senão perde a graça, é sério.

Nesse momento eu estou portando um revólver calibre 38 e estou andando na SUA rua, em direção ao SEU prédio e ao SEU apartamento. Eu diria pra você não se assustar, mas seria mentira, é pra você se assustar sim.

Caralho, eu tô me sentindo o Stephen King agora... Escutou o som da campainha? Abra.



Não abriu? Está esperando o que? Que eu arrombe tua porta? Vá lá e abra.

Você abre, continua linda como sempre, a única diferença é que você continua linda como sempre, mas com dois filhos de um homem que não sou eu.

Veja como meu revólver brilha.

Clic.

(Por: C.O.)

sábado, 17 de maio de 2008

A dona-de-casa Fantasma


Após a polêmica discussão sobre o fato do Motoqueiro Fantasma ser machista... Eis que cai na net uma foto de sua ex-esposa.

( Por: C.O. )

sábado, 10 de maio de 2008

Não se espante, peço novamente

Mãe, escrevo essa carta às pressas porque a tinta de minha máquina está a se escassear e não pretendo recarregá-la. Até porque não viverei mais aqui.

Não se espante, vou te contar o que aconteceu comigo, mas te contarei pessoalmente.

Não se espante, peço novamente, sinto falta de cheiro de bosta de porco, de berro de galinha pela manhã e ainda por cima sinto falta do cheiro do teu almoço, mãe.

Sabe o que deixo aqui pra trás? Nada, minha mulher não é mais minha mulher, e junto a ela estão meus filhos que não são mais meus filhos. Sei que parece trágico, mas não é.

Mãe, tenho quarenta e sinto como se tivesse vinte. Minha vida vai começar agora, e quero que comece junta à senhora e o pai.

Não se espante, peço novamente, vá preparando aquela feijoada que a senhora sabe que eu gosto, e mostre pra vizinhança que eu estou voltando, tire suas roupas do varal como quem fosse viajar, não permita nem que Deus nos atrapalhe no nosso reencontro.

Diga pro pai que essa é só uma carta do banco, me deixe surpreender esse velho.

Diga pro compadre Tonho que eu ainda sei jogar futebol, ainda sei dar lençol.

Diga pro seu bezerro mais gordo aproveitar os últimos dias de vida, porque eu vou matá-lo e saborear a carne dele mergulhada em teu feijão.

Não se espante, peço novamente, não quero que te sintas desdenhada pelos anos que passei fora. Foram anos de aprendizado, e o que eu aprendi foi tudo aquilo que eu aprendi antes de desaprender.


(Por: C.O. )