Foda-se.
São duas e quatorze da manhã e eu estou sentado na frente do computador escrevendo um texto que eu nem sei ao certo se tem um propósito real ou se só serve como saco de pancadas. Me proponho a escrevê-lo do início ao fim sem apertar nenhuma vez o backspace.
Lá se foi mais uma garrafa de atitude, eu ainda me lembro da época (que vale lembrar que não faz tanto tempo) em que pra fazer um show eu precisava ir andando por uns cinco quarteirões carregando um bumbo de bateria nas costas, enquanto os moleques da minha e das outras bandas carregavam a magnífica aparelhagem que nós tínhamos: o resto da bateria e uma única caixa amplificadora, onde era ligado nela o baixo, a guitarra e o microfone. Carregávamos tudo até o bar o qual o dono havia com antecedência liberado pra fazermos o evento, é claro que quando eles perguntavam o estilo das bandas, nós dizíamos que era "rock", só rock. Ele esperava algo no estilo Titãs ou Paralamas, tenho certeza.
Armávamos tudo com antecedência, era uma verdadeira organização, desenhávamos os flyers à mão, com os nomes das bandas e endereço, levávamos em algum bazar e tirávamos as xerox, depois levávamos pra casa de alguém e começávamos a recortar tudo, pra no outro dia levar pra escola e entregar pros amigos, convidando eles pro tão esperado show.
Quando chegava no dia, tínhamos sempre que marcar um ponto de encontro com o pessoal que havia confirmado presença, porque os locais que arranjávamos pra tocar eram sempre muito isolados do centro do bairro, logo, difícil acesso. Como a entrada era gratuita, costumava lotar de roqueiros, bêbados e curiosos que iam ver a barulheira feita por moleques. Não dava pra ouvir nada direito, a guitarra e o baixo pareciam um instrumento só abafado por uma britadeira, a bateria parecia era abafada pelo resto todo, já que não tínhamos como microfoná-la, e a voz, nem comento. Sempre tinha que acabar o show antes das últimas duas músicas, porque eu começava a cuspir sangue e ficava preocupado com isso.
Tínhamos sempre a previsão de terminar as dez horas da noite, mas sempre acabava as nove porque alguns dos adolescentes beberrões acabavam brigando, ou o dono ou moradores da redondeza chamavam a polícia, incomodados com a poluição sonora que fazíamos.
Sim, eu me orgulho de ter vivido dessa maneira e me entristece saber que um filhinho de papai se aborrece quando não sai bonito na foto que tiraram dele no palco, se aborrece quando a banda dele não foi a vencedora do concurso que lhe prometia uma gravação linda, se aborrece quando ouve um não, me entristece todos esses merdas que não estão acostumados a ouvir os "nãos" e estão acostumados a ter apenas "sim", mas NUNCA se acostumaram a correr atrás.
Façam vocês mesmos, daí sim, o rock não haverá de morrer.
( Por : C.O. )
domingo, 5 de julho de 2009
sexta-feira, 12 de junho de 2009
Pré-pós-00 (anúncio)
E as cabeleiras extáticas de anjos pré-pós-adolescência
Estão em exposição em blogs descolados
Talvez seja o empuxo inicial de um novo movimento
Vanguarda pós-00
Alguns deles são meus heróis e nem suspeitam
Tanto tempo com suas mentes brilhantes
Mergulhadas nas latrinas cheias das suas palavras
Agora eles vão deixando seus restos de rebeldia juvenil
E fazendo algo
Vai com fé que pode ser
O primeiro passo em direção ao muro
De Berlim
De Verdade
Eles tem as suas canções
Seus discos do século passado
Suas guitarras para harmonizar o futuro
Eles estão esperando a hora de se descobrirem heróis
Eles estão no momento antes do pulo
Eu espero que eles subam alto
Eu espero que eles não se contentem em olhar o mundo do alto
Eu espero que eles tenham pedras nos sapatos
E que eles cerrem seus dentes na hora certa pra resistir
E pra sorrir.
( Por: A.C. )
Estão em exposição em blogs descolados
Talvez seja o empuxo inicial de um novo movimento
Vanguarda pós-00
Alguns deles são meus heróis e nem suspeitam
Tanto tempo com suas mentes brilhantes
Mergulhadas nas latrinas cheias das suas palavras
Agora eles vão deixando seus restos de rebeldia juvenil
E fazendo algo
Vai com fé que pode ser
O primeiro passo em direção ao muro
De Berlim
De Verdade
Eles tem as suas canções
Seus discos do século passado
Suas guitarras para harmonizar o futuro
Eles estão esperando a hora de se descobrirem heróis
Eles estão no momento antes do pulo
Eu espero que eles subam alto
Eu espero que eles não se contentem em olhar o mundo do alto
Eu espero que eles tenham pedras nos sapatos
E que eles cerrem seus dentes na hora certa pra resistir
E pra sorrir.
( Por: A.C. )
domingo, 26 de abril de 2009
quinta-feira, 2 de abril de 2009
quinta-feira, 26 de março de 2009
quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009
sábado, 24 de janeiro de 2009
10 cadeiras
Um círculo de 10 cadeiras.
- Meu nome é Davi.
Todos respondem em coro: "Olááá Davi!".
- Bem, eu sou alcoólatra há mais ou menos dois anos e meio. Mas graças a este grupo de alcoólicos anônimos eu estou sem beber há três semanas.
- Isso é ótimo, Davi!
- Obrigado pessoal, não sei o que seria da minha vida sem vocês, obrigado mesmo!
Davi se senta, todos o aplaudem e a mulher que senta em uma das cadeiras que formam o círculo no salão se levanta.
- Muito bem gente, mais alguém gostaria de dar um testemunho?
Eu me levanto.
- Oi galera, meu nome não é relevante, esse é meu primeiro dia aqui.
O mesmo coro de antes: "Olááá Meu Nome Não É Relevante!".
- Pois bem, vim aqui porque não sou alcoólatra, não tenho problema algum e não quero me curar de nada.Neste momento vocês devem estar achando que estou vivendo uma fase de negação, pois eu nego essa afirmação e digo que não estou vivendo uma fase de negação, por mais contraditório que isso possa parecer.
- Muito bem, sabichão, o que está fazendo aqui então? - Pergunta um dos membros do A.A.
- Eu estou aqui porque acredito numa sociedade livre.
- Como assim?!
- Mentira, só achei que seria uma maneira legal de começar a responder o que você respondeu... Pois bem, eu estou aqui porque estou afim de tomar um trago.
Tiro uma garrafa de Contini da mochila e começo a beber no gargalo. A mediadora da reunião se levanta da cadeira e começa a gritar.
- O que o senhor pensa que está fazendo?! Por favor, se retire ou vou chamar a polícia!
- Por favor senhora, sente o rabo na cadeira ou terei que fazer isso por você.
Ela se senta e se cala. Eu termino minha garrafa.
- Agora, com licença.
Eu saio cambaleando do clube e começo a vomitar na calçada. Vomito tanto que além do meu almoço eu posso ver sangue, almoço de ontem, coisas que se parecem com algodão e muito líquido ácido.
A mediadora se altera mais uma vez.
- Esse homem é um perturbado mental! Vou ligar pra polícia!
Eu corro pra dentro do clube novamente, ainda limpando o vômito da boca e me lanço pra cima da mulher.
- Você não vai tocar no telefone.
Começo a vomitar novamente, agora no meio do salão. Um dos bebuns se enoja com a cena e começa a vomitar também, um pouco do vômito dele respinga no rapaz ao lado dele, que começa a vomitar também. Uma poça enorme de vômito começa a se formar no centro do círculo. Não perco mais tempo tentando me limpar, minhas roupas já estão tomadas e precisarei jogá-las fora quando chegar na minha casa.
Um dos homens do círculo desmaia, o que estava sentado ao lado do desmaiado tenta reanimá-lo com uma pressão sobre o peito, com a pressão o desmaiado vomita, logo, o reanimador começa a vomitar também.
O cheiro pútrido toma todo o salão. Finalmente, eu consigo me ver são novamente, sento no chão e espero todos terminarem.
Alguns minutos depois, todos estão sentados em suas cadeiras e chocados com a cena que acabara de acontecer ali. Eu abro minha mochila e tiro mais nove garrafas de Contini vazias, com o auxílio de uma pá e um funil começo a encher as garrafas com o vômito da poça gigantesca que se formou no chão. Todos me observam sem nenhuma reação.
Quando termino, dou uma garrafa pra cada um.
- Vocês que receberam as garrafas, levem-nas para suas casas e guardem-nas em suas geladeiras.
Me viro para a mediadora do grupo.
- A senhorita pode fechar as portas desse lugar.
( Por: C.O. )
- Meu nome é Davi.
Todos respondem em coro: "Olááá Davi!".
- Bem, eu sou alcoólatra há mais ou menos dois anos e meio. Mas graças a este grupo de alcoólicos anônimos eu estou sem beber há três semanas.
- Isso é ótimo, Davi!
- Obrigado pessoal, não sei o que seria da minha vida sem vocês, obrigado mesmo!
Davi se senta, todos o aplaudem e a mulher que senta em uma das cadeiras que formam o círculo no salão se levanta.
- Muito bem gente, mais alguém gostaria de dar um testemunho?
Eu me levanto.
- Oi galera, meu nome não é relevante, esse é meu primeiro dia aqui.
O mesmo coro de antes: "Olááá Meu Nome Não É Relevante!".
- Pois bem, vim aqui porque não sou alcoólatra, não tenho problema algum e não quero me curar de nada.Neste momento vocês devem estar achando que estou vivendo uma fase de negação, pois eu nego essa afirmação e digo que não estou vivendo uma fase de negação, por mais contraditório que isso possa parecer.
- Muito bem, sabichão, o que está fazendo aqui então? - Pergunta um dos membros do A.A.
- Eu estou aqui porque acredito numa sociedade livre.
- Como assim?!
- Mentira, só achei que seria uma maneira legal de começar a responder o que você respondeu... Pois bem, eu estou aqui porque estou afim de tomar um trago.
Tiro uma garrafa de Contini da mochila e começo a beber no gargalo. A mediadora da reunião se levanta da cadeira e começa a gritar.
- O que o senhor pensa que está fazendo?! Por favor, se retire ou vou chamar a polícia!
- Por favor senhora, sente o rabo na cadeira ou terei que fazer isso por você.
Ela se senta e se cala. Eu termino minha garrafa.
- Agora, com licença.
Eu saio cambaleando do clube e começo a vomitar na calçada. Vomito tanto que além do meu almoço eu posso ver sangue, almoço de ontem, coisas que se parecem com algodão e muito líquido ácido.
A mediadora se altera mais uma vez.
- Esse homem é um perturbado mental! Vou ligar pra polícia!
Eu corro pra dentro do clube novamente, ainda limpando o vômito da boca e me lanço pra cima da mulher.
- Você não vai tocar no telefone.
Começo a vomitar novamente, agora no meio do salão. Um dos bebuns se enoja com a cena e começa a vomitar também, um pouco do vômito dele respinga no rapaz ao lado dele, que começa a vomitar também. Uma poça enorme de vômito começa a se formar no centro do círculo. Não perco mais tempo tentando me limpar, minhas roupas já estão tomadas e precisarei jogá-las fora quando chegar na minha casa.
Um dos homens do círculo desmaia, o que estava sentado ao lado do desmaiado tenta reanimá-lo com uma pressão sobre o peito, com a pressão o desmaiado vomita, logo, o reanimador começa a vomitar também.
O cheiro pútrido toma todo o salão. Finalmente, eu consigo me ver são novamente, sento no chão e espero todos terminarem.
Alguns minutos depois, todos estão sentados em suas cadeiras e chocados com a cena que acabara de acontecer ali. Eu abro minha mochila e tiro mais nove garrafas de Contini vazias, com o auxílio de uma pá e um funil começo a encher as garrafas com o vômito da poça gigantesca que se formou no chão. Todos me observam sem nenhuma reação.
Quando termino, dou uma garrafa pra cada um.
- Vocês que receberam as garrafas, levem-nas para suas casas e guardem-nas em suas geladeiras.
Me viro para a mediadora do grupo.
- A senhorita pode fechar as portas desse lugar.
( Por: C.O. )
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